quinta-feira, 21 de junho de 2012



 AINDA AS SACOLINHAS PLASTICAS


Não ouvi a notícia de que as sacolinhas plásticas foram liberadas em São Paulo. Limito-me, portanto, a transcrever a notícia.

De uns tempos para cá, o discurso politicamente correto vem tomando conta do noticiário e do comportamento da sociedade. Claro que precisamos cuidar do planeta. Não podemos continuar a poluir impunemente o nosso meio ambiente. Sempre que compramos qualquer coisa - de sapatos, cristais, roupas a gêneros alimentícios - temos, como consumidores, o direito de termos embaladas as nossas compras. Ou alguém acha viável irmos a um Shopping Center e de lá sairmos com livros, sapatos, um blazer, uma blusa, etc., nas mãos, ou termos de levar sacolas, caixas e papel de embrulho de casa? Dar-se-ia o caso de chegamos ao carro com um pé de sapato em cada mão, por não termos levado embalagens onde acondicionar nossas compras?

Sabemos que é preciso pensar em embalagens que não poluam o nosso já tão degradado meio ambiente. NOVIDADE: Essas embalagens não poluentes já existem. São as sacolas de papel. Alguns Supermercados já as distribuem. O que causa revolta e torna o episódio das sacolinhas plásticas intolerável não é o fim das benditas sacolas nos Supermercados, mas o cinismo de se apelar para o discurso - só na aparência - politicamente correto. Como não colaborar com campanha tão meritória? Afinal de contas, está-se pensando no futuro do planeta, na diminuição da poluição, etc. Quer dizer: apela-se para o bom senso da população, para sua quase infinita capacidade de colaboração para pôr fim a um problema que é de todos.

Sacolas plásticas, levadas para casa, acondicionam grande parte do lixo doméstico, ajudam a limpar ruas e praças, quando recolhemos os dejetos deixados por nossos simpáticos pets, etc. Acena-se com a razão de que o lixo deve ser colocado naqueles sacos pretos, grandes (60, 100 litros). Com grande parte da população morando em edifícios de apartamentos, tal expediente torna-se impraticável, pois o lixo nos condomínios é recolhido pelo menos uma vez por dia, situacão em que tais sacos, por seu tamanho, estariam ainda praticamente vazios. Mas claro! este não é um problema para os donos de Supermercados, senão dos usuários de sacolas plásticas. Concordo! Além das sacolas plásticas, as embalagens de bolachas, do café solúvel, do macarrão, do arroz e do feijão, entre muitos outros itens, são de plástico, igualmente poluidoras do meio ambiente. Por outro lado, carnes, embutidos, bem como as frutas e verduras, devem necessariamente ser acondicionados para que os transportemos dos Supermercados aos nossos lares. E o material, uma vez mais, é plástico - poluente.

Como resolver tal problema? Não serão as sacolas plásticas que levamos para casa e onde acondicionamos nosso lixo as vilãs que estão acabando com o meio ambiente.  
Ao repassar o custo das sacolas aos consumidores, os Supermercados lucram uma vez mais. E de maneira ilegal, já que os custos das sacolas estão contabilizados e embutidos nos custos. E de quebra os Supermercados se livram de caixas de papelão, geralmente sujas, contaminadas, que teriam de ter seu destino definido pelos fornecedores. Resumo da ópera: pagamos por algo já pago; arcamos com mais um custo, e ainda por cima nos tornamos responsáveis por colocar no lixo caixas de papelão sujas e contaminadas.

Como se pode ver, basta escolher palavras aparentemente corretas, inseri-las num contexto politicamente correto e pronto. Felizmente, e ao que parece, a confirmar-se a notícia abaixo, o cinismo da APAS e dos pobres donos de Supermercados terá encontrado seu fim. Resta saber até quando, já que essa gente não desiste.

SACOLINHAS PLÁSTICAS LIBERADAS EM SÃO PAULO!



CONSELHO SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO DERRUBA O TAC SOBRE SACOLAS PLÁSTICAS!
(DIVULGAÇÃO: RÁDIO CBN)
Com decisão, supermercados devem voltar a distribuir sacolas plásticas em respeito ao Código de Defesa do Consumidor 

 
O Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo decidiu por unanimidade nesta terça-feira, 19 de junho, que o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que limitava o direito do consumidor em receber gratuitamente as sacolas plásticas, não é válido. Com a decisão, os estabelecimentos devem voltar a distribuir as sacolinhas em cumprimento ao Código de Defesa do Consumidor.

 
A petição contra a homologação do TAC foi uma ação movida pela Plastivida Instituto Sócio Ambiental dos Plásticos, pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idecon) e pelo terceiro interessado SOS Consumidor. 

 
Com isso em vista, os estabelecimentos comerciais que deixarem de distribuir as sacolas gratuitamente, pelas quais a população já paga e têm o preço embutido nos produtos, correm o risco de serem acionados pelos órgãos de defesa do consumidor, mediante denúncia. “As pessoas que se sentirem lesadas devem procurar os órgãos de defesa do consumidor e o próprio Ministério Público”, afirma Miguel Bahiense, presidente da Plastivida. 

 
“O Conselho Superior do MP entendeu que existe um descompasso muito grande e que o ônus na não distribuição das sacolas plásticas está recaindo apenas sobre os consumidores. Na visão do órgão, essa situação precisa ser revertida o quanto antes”, finaliza Jorge Kaimoti Pinto, advogado da Plastivida. 

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