UM POUCO DE HUMOR
Millôr Fernandes
Milton Viola Fernandes, ou simplesmente Millôr Fernandes, nasceu no Rio de Janeiro, em 16 de agosto de 1923, e morreu lá mesmo, em 27 de março deste ano da Graça de nosso Senhor Jesus Cristo, de 2012.
Desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, jornalista, entre muitas outras ocupações, aventurou-se em diversas áreas da comunicação, como jornalismo, literatura, artes, teatro, cinema e até esporte, sempre ou quase sempre com raro humor e sátiras tão impiedosas quanto exatas e engraçadas.
Ainda criança, entre os anos 1955 e 1960, lia O CRUZEIRO enquanto esperava minha vez no salão de barbeiro pertinho de casa. O Pif-Paf e O Amigo da Onça (este de Péricles) constituíam meu interesse.
Millôr, sempre engraçado, mas extremamente simples para um menino como eu, fazia-se entender, graças à simplicidade de seus artigos e tiradas de humor. Numa delas, lembro até hoje, deixava registrado:
"E depois de rezar o Pai-Nosso, a menininha, posta a dormir pela mamãe, perguntava:
- Mamãe, quando eu morrer, eu vou pro céu?
- Vai, filhinha!
- E você, quando morrer, vai pro céu?
- Vou, filhinha!
- E o papai, quando morrer, vai pro céu?
- Vai, filhinha!
- E o Juquinha, meu irmãozinho, quando morrer, também vai pro céu?
- Vai, filhinha!
- E a vovó, quando morrer, vai pro céu?
- Vai, filhinha! Mas agora, fecha os olhinhos e dorme.
- Mamãe, mamãe, e o Totó, meu cachorrinho, quando morrer vai pro céu?
- Vai, filhinha! responde a mãe, já cansada de tantas perguntas, mas agora, durma que já se faz tarde!
A menininha, porém, está ansiosa demais, e pergunta:
- Mamãe, e o Seu Anacleto, quando morrer, vai pro céu?
- Sim, filhinha! O Seu Anacleto, o Seu Antonio, o vizinho aqui do lado, a nossa empregada, todo mundo vai pro céu, mas agora, por favor, filhinha, feche os olhinhos e durma.
- E a vaca do Seu Anacleto?
- Não! responde a mãe, já exasperada.
- Ih, mamãe! preocupava-se, então, a menininha, nós vamos ter que ir ao inferno comprar leite?"
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