IGREJA E CELIBATO
Respondendo a uma pergunta capciosa de seus inimigos mais ferrenhos, os fariseus, Jesus afirmou:
"Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus," - Mateus 22.29
Podemos "não conhecer" as Escrituras de duas maneiras:
1. não sabendo o que elas prescrevem sobre determinado assunto, e
2. ignorando deliberadamente sua prescrição sobre o assunto em pauta.
Toda a base em que se apóia o Cristianismo, enquanto religião institucionalizada, chega a nós através das Escrituras, isto é, da Bíblia Sagrada. Claro que as diversas confissões e denominações cristãs têm suas próprias histórias, de acordo com as diferentes cosmovisões que adotam, e na qual fundamentam seus credos e estabelecem suas doutrinas. Não podemos ignorar, porém, que é das Escrituras que vem toda a base na qual se apóiam as diferentes organizações religiosas; vamos chamá-las assim.
Voltando às palavras ditas por Jesus, e que abriram este breve comentário, - Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus -, somos severamente advertidos, e pelo próprio Mestre, que incorremos em erro, sempre que nos afastamos - deliberadamente ou por desconhecimento - dos ensinamentos transmitidos pelas Escrituras.
O celibato, adotado pela Igreja de Roma, sob a argumentação de propiciar maior envolvimento com as "coisas de Deus", desprendimento da família e renúncia aos prazeres da carne, como se pecaminosos fossem (mesmo dentro dos rígidos padrões éticos e morais disciplinados exatamente pelas Escrituras), entra em choque com a Bíblia e não resiste a uma confrontação, mesmo superficial.
Escrevendo a Timóteo, "pastor" da Igreja em Éfeso. o apóstolo Paulo dá a seguinte orientação:
Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, moderado, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a sua própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo respeito (pois se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça, e incorra na condenação do diabo. Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair em desonra e no laço do diabo.
Primeira Epístola de São Paulo a Timóteo, capítulo 3, versos 1 a 7
Também a Tito, líder da Igreja na Ilha de Creta, São Paulo confirma a mesma orientação:
Por esta causa te deixei em Creta para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi: alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos cristãos que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados. Porque é indispensável que o bispo seja irrepreensível como despenseiro de Deus, não arrogante, não irascível, não dado ao vinho, nem violento, nem cobiçoso de torpe ganância, antes hospitaleiro amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, que tenha domínio de si, apegado à palavra fiel que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder, assim para exortar pelo reto ensino como para convencer os que contradizem.
Epístola de São Paulo aTito, capítulo 1, versos 5 a 9
Ao mesmo Timóteo, em sua Primeira Epístola, São Paulo é bem claro e taxativo:
Ora, o Espírito Santo afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras, e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento (grifo meu), exigem abstinência de alimentos, que Deus criou para serem recebidos, com ações de graça, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graça, nada é recusável, porque pela palavra de Deus e pela oração, é santificado.
Primeira Epístola de São Paulo a Timóteo, capítulo 4, versos 1 a 5
O próprio Pedro, apóstolo de Jesus, e um dos seus mais íntimos colaboradores, tinha uma sogra, curada por Jesus.
E saindo eles da sinagoga, foram, com Tiago e João, diretamente para a casa de Simão Pedro e André. A sogra de Simão Pedro achava-se acamada, com febre; e logo lhe falaram a respeito dela. Então, aproximando-se, tomou-a pela mão; e a febre a deixou, passando ela a servi-los.
Evangelho de São Marcos, capítulo 1, versos 29 a 31
Deixando ele (Jesus) a sinagoga, foi para a casa de Simão Pedro. Ora a sogra de Simão Pedro achava-se enferma com febre muito alta; e rogaram-lhe por ela. Inclinando-se ele para ela, repreendeu a febre, e esta a deixou; e logo se levantou, passando a servi-los.
Evangelho de São Lucas, capítulo 4, versos 38 e 39
Os textos acima evidenciam que Pedro era casado.
Outras confissões cristãs, como a Igreja Ortodoxa, adotam o celibato como opção, e diversas denominações protestantes nem mesmo ordenam pastores que não sejam casados.
Tudo isto pode levar-nos à falsa conclusão de que não existiriam problemas de ordem sexual nas igrejas que não obrigam ao celibato. Quem assim supõe ignora o que seja a natureza humana, o que não nos autoriza a nos afastarmos do que as Escrituras prescrevem em relação a sacerdócio e casamento, sob pena de incorrermos em erro, segundo a palavra abalizada do SENHOR JESUS.